COORDENAÇÃO VS INDEPENDÊNCIA NA BATERIA

Qual a Diferença e Como Estudar?

 

Coordenação e Independência na bateria. Pra muitas pessoas isso pode soar como praticamente a mesma coisa, mas a verdade é que são opostos que se atraem. Tudo na música se complementa, uma coisa não existe sem a outra, porém a maneira como você estuda a coordenação e independência são bem diferentes, o resultado que você tem é bem diferente e o propósito do estudo também é diferente.

 

A verdade é que a maioria não estuda independência, e isso é uma matéria crucial e muito gratificante de estudar. Eu garanto que se você perguntar pra maioria dos grandes bateras que você admira citarem um livro de bateria que essa pessoa considera essencial, grande parte, inclusive eu, vai falar o The New Breed do Gary Chester, que é um livro de Independência.

 

Mas então vamos lá, pra gente conseguir entender em detalhes essa diferença a gente precisa partir do significado das palavras e fazer uma conexão com o que a gente estuda na batera.

 

Coordenação significa concatenar vários elementos, pôr em sincronia, fazer com que haja uma cooperação entre os diversos impulsos que você manda para os seus membros separadamente.

 

Basicamente, partindo do princípio, quando você aprende qualquer groove na bateria você está fazendo um exercício de coordenação, porque a palavra goove consiste em um ritmo que fica se repetindo.

 

Pra fazer o seguinte ritmo você passou por um exercício de coordenação, juntando o Hi Hat, a caixa, o bumbo e colocando tudo em sincronia.

 

 

Entendido até aí?

 

 

Já a Independência consiste no oposto, não importa, por exemplo, o que meu braço esquerdo esteja fazendo, eu quero que o direito seja autônomo, independente dele. Não importa o que eu esteja tocando, eu quero ter liberdade de pensamento, consciência de tudo que está acontecendo na música e a minha volta.

 

Cara, isso é fantástico e super importante, é como se você saísse do corpo e se tornasse um observador que avalia de cima e tem a visão de tudo que está acontecendo, é praticamente uma expansão de consciência musical. Com isso você melhora seu andamento, sua musicalidade, habilidade de improvisação, criação, consegue fazer coisas muito mais difíceis, enfim, dá um grande upgrade.

 

Pra exemplificar eu vou fazer algo super simples que você pode fazer aí na sua casa, mesmo se não tiver a batera. Vamos tocar aquele groove de antes, pode fazer no ar mesmo, batendo nas pernas, bateria imaginária.

 

Agora sem parar de tocar, sem acelerar ou atrasar o ritmo, firmão… me fala seu endereço completo. E aí, fácil? Se foi fácil é sinal que sobre essa base, sobre esse sistema, você já consegue ter uma certa independência.

 

Geralmente isso é um terror no início, o batera vai fazer um show com a banda dele e no meio da música alguém pergunta? “Quer uma água?” Aí rola aquela arregalada de olho, a perda de foco, o andamento já dá uma oscilada, mas um sim sai, ou pelo menos uma balançada de cabeça. Aí vem a segunda pergunta: “Com gás ou sem gás?”… já rola um pavor.

 

Então pra entender um pouco mais sobre esse estudo de Independência, o que a gente faz é tentar manter uma base, um chamado sistema, que é basicamente um ostinato, uma repetição rítmica, e sobre essa base a gente toca linhas rítmicas não previsíveis. O que seria isso? Seriam subdivisões que você não decorou, elas aparecem e no momento você tem que tocar. No livro do Gary Chester isso aparece em folhas de subdivisões rítmicas, então você mantêm o sistema com mão direita e mão esquerd a, por exemplo, e com o bumbo você fica lendo o que está escrito na folha. E não para por aí, isso sempre cantando o tempo, o contratempo, ou a subdivisão que está escrita.

 

Você pode aplicar essa técnica de independência com tudo, em qualquer estilo que você quiser.

 

No geral então os estudos de coordenação nos preparam pra explorar a independência, é como um pré-requisito, coordenação é treino, independência é jogo, um não vive sem o outro.

Por Rodrigo Zorzi

14/10/2019